Por: Mônica Caser
Fonte: Assessoria de Comunicação Faes
Com o objetivo de avançar na formulação de políticas públicas e enfrentar os impactos da importação de cacau africano, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (FAES) se reuniu, na manhã desta terça-feira (03), com produtores, lideranças e entidades representativas do setor.
Durante o encontro, os participantes discutiram os riscos da importação de cacau africano para a produção nacional e os principais desafios enfrentados pela cacauicultura brasileira. Entre os pontos de atenção estão as inseguranças geradas pela Instrução Normativa nº 125/2021, especialmente no que se refere aos riscos fitossanitários, evidenciando a necessidade de revisões periódicas das instruções normativas. Além do uso indevido do regime de drawback, que permite a importação do produto com suspensão de tributos.
As entidades presentes se posicionaram de forma contrária à flexibilização das normas para a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim, alertando para os riscos à sanidade vegetal. A entrada do produto pode favorecer a introdução de pragas inexistentes no Brasil, com potencial de comprometer lavouras de cacau e outras culturas agrícolas, gerando impactos graves e irreversíveis à produção nacional.
O presidente da FAES, Júlio Rocha, explicou que foi deliberada a elaboração de um ofício, em conjunto com as associações do setor, a ser encaminhado ao governo estadual, com o objetivo de solicitar a reconstituição da Câmara Setorial Estadual da Cadeia Produtiva do Cacau e ampliar o diálogo sobre o tema.
“Como encaminhamento, ficou estabelecida a construção conjunta de um plano de ação, com articulação entre entidades representativas e o poder público, visando proteger a produção nacional, fortalecer a cacauicultura e garantir segurança sanitária e competitividade ao setor capixaba”, afirmou.
Como encaminhamento adicional, será desmembrada da Comissão Estadual de Hortifruticultura da FAES a nova Comissão de Cacauicultura, que terá pautas específicas voltadas ao fortalecimento dessa cadeia. E foi proposta a realização de uma missão técnica à Costa do Marfim, com o envio de amostras representativas da produção nacional, compatíveis com os padrões e a realidade do cacau produzido no Brasil.
Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (ACAU), Associação Agricultura Forte, Sindicato Rural de Iconha, Sindicato Rural de Linhares, e o vice-prefeito de Linhares, Franco Fiorot, estiveram presentes na reunião.
Representatividade estadual
O Espírito Santo ocupa posição de destaque no cenário nacional da cacauicultura, sendo o terceiro maior produtor de cacau do país, com produção presente em 45 municípios. Linhares se consolida como o principal polo do Estado, concentrando 70,7% da produção capixaba e exercendo papel estratégico para a economia rural e a geração de renda no campo.
Assistência Técnica e Gerencial
Durante a reunião, os dados da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-ES foram destaque entre os participantes. Em 2025, o programa teve atuação estratégica no fortalecimento da cacauicultura, com atendimento a 194 propriedades rurais, totalizando 976 hectares acompanhados, além da atuação direta de seis técnicos em campo.
O trabalho gerou impactos positivos na gestão e na rentabilidade das propriedades, com 76% dos produtores assistidos apresentando lucro. O custo total foi de R$ 27,12, reforçando a eficiência do modelo da ATeG na promoção de ganhos produtivos, econômicos e na sustentabilidade da cadeia do cacau.