Agricultura: Depois da escassez, a bonan?a?
Ap?s uma longa seca, 2017 foi o ano em que o agricultor capixaba ensaiou dar a volta por cima
1 de setembro de 2020
Com o fim da maior seca ocorrida em 80 anos, 2017 pode marcar o in?cio da recupera??o da agricultura do Esp?rito Santo. As chuvas ficaram em torno da m?dia, na maior parte das regi?es, e os agricultores se animaram a investir mais na produ??o. O caf? conilon (ou robusta), um dos carros-chefes do agroneg?cio capixaba, foi o que mais sofreu com a estiagem, mas agora o cen?rio se mostra um pouco melhor, mesmo com o pre?o da saca em baixa.
Para as exporta??es do caf? capixaba, a expectativa ? de que o ano n?o seja positivo. O Centro do Com?rcio de Caf? de Vit?ria (CCCV) estima que seja vendido no mercado externo 1,8 milh?o de sacas, a menor quantidade desde 1982, quando o Estado exportou 1,04 milh?o de sacas. O motivo da queda ? que o conilon capixaba foi praticamente todo absorvido pelo mercado interno e pela ind?stria de sol?vel. Para o ar?bica, as vendas internacionais foram de um milh?o de sacas de janeiro a julho, queda de 28,7% em rela??o ao 1,45 milh?o de sacas exportado no mesmo per?odo de 2016, com receita 7% menor que a do mesmo per?odo de 2016 ? ou seja, US$ 13 milh?es a menos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat?stica (IBGE) estima que, neste ano, a produ??o de caf? no Estado ser? 8,95% menor do que em 2016. A safra do conilon deve crescer 14%, ao passo que a do ar?bica cair? 9%. A expectativa ? que a produ??o final seja de quase 8,9 milh?es de sacas de caf? para 2017.
?Se, por um lado, h? queda nos pre?os do robusta, assim como da pimenta-do-reino, que tamb?m sofreu com a estiagem, h? expectativa de retomada das planta??es e dos valores.
Al?m disso, tanto a cota??o baixa quanto a seca motivaram os produtores a investir na qualidade dos produtos. Observamos isso claramente na cultura do caf? ar?bica, em que estamos sendo premiados nas disputas nacionais dessa esp?cie. Nosso gr?o ? de alta qualidade, e os produtores est?o em busca de novos caf?s, novos aromas?, avalia o diretor t?cnico do Incaper, Mauro Rossoni Junior.
A seu ver, a seca foi ?did?tica?, a despeito dos revezes que gerou. ?Temos novos produtos de qualidade e a entrada no mercado externo. Os concursos de ar?bica atraem p?blico e geram turismo para a regi?o de montanhas do Estado. ? um c?rculo virtuoso. Temos produtos com pre?os melhores, aumento do turismo, diversifica??o das culturas e, claro, uma retomada?, comemora.
DIVERSIDADE
A diversifica??o das culturas foi o ?pulo do gato? deste ano e, mais uma vez, a seca foi a mola propulsora dessa mudan?a, prossegue Mauro. ?Observamos produtores vindo at? n?s em busca de alternativas ? cafeicultura. Da? a alta na produ??o do tomate, lim?o tahiti, mexerica ponkan e laranja. O mam?o tamb?m teve alta nas exporta??es?, diz.
Al?m disso, ?o gengibre e a horticultura em geral tamb?m est?o em voga, principalmente quando se fala em org?nicos. Estes produtos est?o tomando uma dimens?o grande, gra?as ? diversifica??o. A olericultura, por exemplo, antes forte na regi?o de Santa Maria de Jetib?, Santa Teresa, Itarana e Itagua?u, agora tamb?m se expande no entorno dos lagos em Linhares, Aracruz e Rio Bananal ? ?reas onde, antes, a pecu?ria e o conilon eram dominantes, e agora temos culturas misturadas. ? a era da diversifica??o, e isso ? muito positivo?, garante o dirigente.
PESQUISA E TECNOLOGIA
Hoje, o Estado responde por 75% da produ??o brasileira e 20% da produ??o mundial de conilon. S?o 400 mil empregos diretos e indiretos vindos do cultivo em 60 mil propriedades agr?colas capixabas. E a tecnologia tamb?m est? sendo usada em favor do homem do campo. Em novembro, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assist?ncia T?cnica e Extens?o Rural (Incaper) lan?ou uma nova cultivar clonal de caf? conilon tolerante ? seca, a ?Maril?ndia ES8143?, e o Jardim Clonal Superadensado, uma t?cnica para a multiplica??o r?pida de cultivares clonais melhoradas, ambos desenvolvidos pela equipe do ?rg?o.
O secret?rio de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, destacou a import?ncia desse trabalho. ?De forma geral n?o se gosta de investir em pesquisa no Brasil, mas aqui estamos com o maior edital de pesquisa na agricultura do pa?s. S?o R$ 14 milh?es sendo investidos pelo governo, por meio da Funda??o de Amparo ? Pesquisa e Inova??o (Fapes). E investir em pesquisa significa dinheiro no bolso do produtor rural?, disse.
ESFOR?O DE RECUPERA??O
O presidente da Federa??o da Agricultura e Pecu?ria do Estado do Esp?rito Santo (Faes), Julio Rocha, avalia que o ano de 2017 foi muito dif?cil para a agropecu?ria capixaba. ?Nosso segmento amargou v?rias dificuldades, como a crise h?drica e os pre?os recebidos pelos produtores, que quase nunca cobrem os custos de produ??o nem a alta dos insumos. A forte importa??o de leite em p? do Uruguai, a falta de uma defini??o para renegocia??o de d?vidas e a inseguran?a no campo foram alguns dos pontos que impediram o pleno desenvolvimento do agroneg?cio capixaba?. Ele explica que o endividamento do produtor preocupa: ?Registre-se que a queda dos juros foi pouco aproveitada, em decorr?ncia do endividamento, que compromete as garantias retidas?.
Para a safra 2017/2018, os recursos programados para libera??o em todo o pa?s s?o de R$ 188,4 bilh?es. Al?m disso, na tentativa de aliviar o sufoco financeiro do agricultor, o Senado aprovou o Programa de Regulariza??o Tribut?ria Rural, o Refis Rural, que permite a renegocia??o e quita??o de d?vidas previdenci?rias de produtores rurais e reduz a al?quota paga ao Fundo de Assist?ncia ao Trabalhador Rural (Funrural). Ser?o quitados, segundo o projeto, d?bitos vencidos at? 30 de agosto de 2017.
EXPORTA??ES
Al?m da queda do caf? em gr?o, o terceiro trimestre de 2017 tamb?m mostrou baixa nas exporta??es de caf? sol?vel: -21,7%. E a pimenta-do-reino, que exportou US$ 31,13 milh?es no segundo trimestre, caiu -12,6% no terceiro, somando US$ 27,21 milh?es. No c?mputo final, as exporta??es do agroneg?cio capixaba cresceram +5,2% no per?odo, puxadas principalmente pelo aumento de +5,1% nas vendas de celulose, enquanto as exporta??es do Esp?rito Santo cresceram +1,86% do segundo para o terceiro trimestre de 2017. A participa??o do agroneg?cio nas exporta??es totais do Estado subiu de 20,3% no segundo trimestre para 21,0% no terceiro trimestre de 2017.
Fonte: ES Brasil
Para as exporta??es do caf? capixaba, a expectativa ? de que o ano n?o seja positivo. O Centro do Com?rcio de Caf? de Vit?ria (CCCV) estima que seja vendido no mercado externo 1,8 milh?o de sacas, a menor quantidade desde 1982, quando o Estado exportou 1,04 milh?o de sacas. O motivo da queda ? que o conilon capixaba foi praticamente todo absorvido pelo mercado interno e pela ind?stria de sol?vel. Para o ar?bica, as vendas internacionais foram de um milh?o de sacas de janeiro a julho, queda de 28,7% em rela??o ao 1,45 milh?o de sacas exportado no mesmo per?odo de 2016, com receita 7% menor que a do mesmo per?odo de 2016 ? ou seja, US$ 13 milh?es a menos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat?stica (IBGE) estima que, neste ano, a produ??o de caf? no Estado ser? 8,95% menor do que em 2016. A safra do conilon deve crescer 14%, ao passo que a do ar?bica cair? 9%. A expectativa ? que a produ??o final seja de quase 8,9 milh?es de sacas de caf? para 2017.
?Se, por um lado, h? queda nos pre?os do robusta, assim como da pimenta-do-reino, que tamb?m sofreu com a estiagem, h? expectativa de retomada das planta??es e dos valores.
Al?m disso, tanto a cota??o baixa quanto a seca motivaram os produtores a investir na qualidade dos produtos. Observamos isso claramente na cultura do caf? ar?bica, em que estamos sendo premiados nas disputas nacionais dessa esp?cie. Nosso gr?o ? de alta qualidade, e os produtores est?o em busca de novos caf?s, novos aromas?, avalia o diretor t?cnico do Incaper, Mauro Rossoni Junior.
A seu ver, a seca foi ?did?tica?, a despeito dos revezes que gerou. ?Temos novos produtos de qualidade e a entrada no mercado externo. Os concursos de ar?bica atraem p?blico e geram turismo para a regi?o de montanhas do Estado. ? um c?rculo virtuoso. Temos produtos com pre?os melhores, aumento do turismo, diversifica??o das culturas e, claro, uma retomada?, comemora.
DIVERSIDADE
A diversifica??o das culturas foi o ?pulo do gato? deste ano e, mais uma vez, a seca foi a mola propulsora dessa mudan?a, prossegue Mauro. ?Observamos produtores vindo at? n?s em busca de alternativas ? cafeicultura. Da? a alta na produ??o do tomate, lim?o tahiti, mexerica ponkan e laranja. O mam?o tamb?m teve alta nas exporta??es?, diz.
Al?m disso, ?o gengibre e a horticultura em geral tamb?m est?o em voga, principalmente quando se fala em org?nicos. Estes produtos est?o tomando uma dimens?o grande, gra?as ? diversifica??o. A olericultura, por exemplo, antes forte na regi?o de Santa Maria de Jetib?, Santa Teresa, Itarana e Itagua?u, agora tamb?m se expande no entorno dos lagos em Linhares, Aracruz e Rio Bananal ? ?reas onde, antes, a pecu?ria e o conilon eram dominantes, e agora temos culturas misturadas. ? a era da diversifica??o, e isso ? muito positivo?, garante o dirigente.
PESQUISA E TECNOLOGIA
Hoje, o Estado responde por 75% da produ??o brasileira e 20% da produ??o mundial de conilon. S?o 400 mil empregos diretos e indiretos vindos do cultivo em 60 mil propriedades agr?colas capixabas. E a tecnologia tamb?m est? sendo usada em favor do homem do campo. Em novembro, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assist?ncia T?cnica e Extens?o Rural (Incaper) lan?ou uma nova cultivar clonal de caf? conilon tolerante ? seca, a ?Maril?ndia ES8143?, e o Jardim Clonal Superadensado, uma t?cnica para a multiplica??o r?pida de cultivares clonais melhoradas, ambos desenvolvidos pela equipe do ?rg?o.
O secret?rio de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, destacou a import?ncia desse trabalho. ?De forma geral n?o se gosta de investir em pesquisa no Brasil, mas aqui estamos com o maior edital de pesquisa na agricultura do pa?s. S?o R$ 14 milh?es sendo investidos pelo governo, por meio da Funda??o de Amparo ? Pesquisa e Inova??o (Fapes). E investir em pesquisa significa dinheiro no bolso do produtor rural?, disse.
ESFOR?O DE RECUPERA??O
O presidente da Federa??o da Agricultura e Pecu?ria do Estado do Esp?rito Santo (Faes), Julio Rocha, avalia que o ano de 2017 foi muito dif?cil para a agropecu?ria capixaba. ?Nosso segmento amargou v?rias dificuldades, como a crise h?drica e os pre?os recebidos pelos produtores, que quase nunca cobrem os custos de produ??o nem a alta dos insumos. A forte importa??o de leite em p? do Uruguai, a falta de uma defini??o para renegocia??o de d?vidas e a inseguran?a no campo foram alguns dos pontos que impediram o pleno desenvolvimento do agroneg?cio capixaba?. Ele explica que o endividamento do produtor preocupa: ?Registre-se que a queda dos juros foi pouco aproveitada, em decorr?ncia do endividamento, que compromete as garantias retidas?.
Para a safra 2017/2018, os recursos programados para libera??o em todo o pa?s s?o de R$ 188,4 bilh?es. Al?m disso, na tentativa de aliviar o sufoco financeiro do agricultor, o Senado aprovou o Programa de Regulariza??o Tribut?ria Rural, o Refis Rural, que permite a renegocia??o e quita??o de d?vidas previdenci?rias de produtores rurais e reduz a al?quota paga ao Fundo de Assist?ncia ao Trabalhador Rural (Funrural). Ser?o quitados, segundo o projeto, d?bitos vencidos at? 30 de agosto de 2017.
EXPORTA??ES
Al?m da queda do caf? em gr?o, o terceiro trimestre de 2017 tamb?m mostrou baixa nas exporta??es de caf? sol?vel: -21,7%. E a pimenta-do-reino, que exportou US$ 31,13 milh?es no segundo trimestre, caiu -12,6% no terceiro, somando US$ 27,21 milh?es. No c?mputo final, as exporta??es do agroneg?cio capixaba cresceram +5,2% no per?odo, puxadas principalmente pelo aumento de +5,1% nas vendas de celulose, enquanto as exporta??es do Esp?rito Santo cresceram +1,86% do segundo para o terceiro trimestre de 2017. A participa??o do agroneg?cio nas exporta??es totais do Estado subiu de 20,3% no segundo trimestre para 21,0% no terceiro trimestre de 2017.
Fonte: ES Brasil