Dia das Mães traz expectativas de maior comercialização de flores

O Dia das Mães deve promover um aumento na comercialização de flores em relação às semanas anteriores, embora em menor volume do que no mesmo período de 2019 em razão das medidas de distanciamento social. É o que mostra o boletim semanal da CNA, que traz uma análise do comportamento de algumas culturas no mercado interno no período de 4 a 8 de maio e um panorama do cenário internacional no agro.


Na parte de hortaliças, diz a CNA, observou-se queda de 27% no preço da alface crespa em abril na comparação com março. No setor sucroenergético, produtores de cana-de-açúcar relatam preocupação com a redução drástica das margens e a possibilidade de inadimplência por parte das usinas.


Para o café, a previsão é de alta dos custos com mão de obra neste início de safra devido à restrição do número de trabalhadores neste período de pandemia. Já os produtores de leite alertaram para o descumprimento, pelas indústrias, dos acordos acertados para a alta do preço do leite a ser pago em maio, enquanto as cotações do suíno registraram recuperação nesta semana frente à anterior.


No comércio internacional, a publicação faz um panorama sobre as principais medidas tomadas durante a semana em mercados importantes, como Uruguai, Estados Unidos, União Europeia, China e Austrália, e os impactos para o agro brasileiro.


Flores e plantas ornamentais


Após atuação do setor, alguns estados autorizaram a reabertura de floriculturas e garden centers para atendimento da demanda para o Dia das Mães. O setor tem incentivado o comércio por outras modalidades como delivery e drive thru. Essas iniciativas devem amenizar os impactos da crise ao setor.


Em comunhão com a solicitação da CNA e seguindo a recomendação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) da última semana, a Frente Nacional dos Municípios também recomendou a reabertura desses estabelecimentos aos prefeitos. No Rio de Janeiro, segundo maior produtor de flores do país, a Secretaria de Agricultura desenvolve ações junto aos produtores no fornecimento de crédito e na busca pela ampliação da comercialização.


É certo que o volume movimentado na véspera do Dia das Mães será inferior ao movimento em 2019 devido às limitações de circulação das pessoas, às priorizações de despesas dos consumidores e aos estabelecimentos ainda fechados em alguns estados. No entanto, são esperadas negociações expressivamente maiores que as semanas anteriores.


Frutas e hortaliças


As folhosas ainda sofrem com a redução de preços e demanda. A alface crespa apresentou uma redução de 27% no preço em abril se comparado a março, que já foi um mês de preços reprimidos. O movimento de queda se repete na primeira semana de maio, diferentemente do tomate, que manteve certa estabilidade.


Ainda que a demanda esteja limitada, o preço médio da batata e a cebola tem se sustentado nos padrões normais da época.


No caso das frutas, atualmente o mamão tem sido a fruta mais afetada pela queda nos preços. O problema se agrava com o cancelamento dos voos comerciais que limitam as exportações. Enquanto isso, na região de Mossoró (RN), produtores de melão indicam redução na área plantada como forma de adequar a oferta e reduzir custos.


Commodities agrícolas


O setor sucroenergético aguarda o anúncio, pelo governo, de medidas emergenciais, que não saíram esta semana. A safra 2020/2021 de cana-de-açúcar encontra-se em andamento e precisa ser processada. Isso significa um aumento da oferta de etanol com demanda estagnada, que já tem refletido em queda acumulada nos preços. Os produtores de cana-de-açúcar relatam preocupação com a redução drástica das margens e com a possibilidade de inadimplência das usinas.


No caso do café, o início da safra vem acompanhado da ampliação dos custos com mão de obra. A restrição do número de trabalhadores tem ampliado a concorrência e o valor da mão de obra nas principais regiões produtoras. Em relação às exportações, o mês de abril fechou com estabilidade no volume embarcado frente ao mesmo período de 2019, com cerca de 2,8 milhões de sacas.


Soja e milho registraram valorização na semana. Em abril, foi registrado recorde de exportação de soja, ultrapassando 16 milhões de toneladas. Analistas ampliam a expectativa de exportação para quase 77 milhões de toneladas em 2020. Para o milho safrinha, a preocupação do setor é com o impacto das geadas na Região Sul.


Lácteos


O produtor rural tem sofrido com o não cumprimento dos acordos estabelecidos pelos Conseleites e pela Câmara Técnica e de Conciliação da Cadeia Láctea de Goiás. Apesar dos acordos de alta para o preço do leite a ser pago em maio, o que tem se observado no campo é a redução do preço, de forma arbitrária, pelas agroindústrias, principalmente nos estados de Goiás e Minas Gerais.


A CNA se posicionou oficialmente contra esse descumprimento e solicitou apoio dos conselhos paritários e entidades que representam cooperativas e indústrias de laticínios a fim de que cumpram os preços acordados.


Além da queda nos preços, os produtores estão sendo afetados pelo aumento no custo de produção. Os aumentos expressivos nas cotações de milho e farelo de soja em 2020 fizeram com que a relação de troca (quantidade de leite necessária para aquisição de um saco de ração de 40 kg) se elevasse em 33% em abril frente ao mesmo mês de 2019, causando perda no poder de compra do produtor.


Aves e Suínos


Para os produtores independentes, após semanas de queda, as cotações do suíno apresentaram recuperação nesta semana frente ao registrado em 30 de abril. As praças de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina foram as que apresentaram maiores altas, de 21%, 9% e 6%, respectivamente.


O mercado segue aquecido para as empresas habilitadas para exportação. Em abril, as exportações de carne suína apresentaram crescimento de 4,34% em relação a março, acumulando alta de 56,6% de janeiro a abril quando comparada ao mesmo período do ano passado.


Enquanto isso, as integradoras de frango de corte começaram a sugerir a renegociação dos preços dos contratos estabelecidos anteriormente, o que é desfavorável aos produtores.


Aquicultura


Produtores de peixe nativos diminuíram sua produção para se adequar à demanda. Enquanto novos ciclos estão sendo iniciados com menor povoamento, os produtores que já estavam com animais nos tanques venderam apenas o suficiente para baixar a taxa de lotação. Agora, eles estão segurando a produção e acumulando alta nos custos.


O setor de carcinicultura continua em busca do escoamento da sua produção via exportação. Algumas empresas conseguiram fechar negócios com os Emirados Árabes.


COMÉRCIO INTERNACIONAL


MERCADOS SELECIONADOS


Uruguai


- O panorama do setor arrozeiro uruguaio tem experimentado significativas melhoras. Esse desempenho positivo se dá por conta da conjuntura atual do mercado internacional que tem tido forte demanda e redução temporária da oferta devido às restrições para exportação impostas em diversos países asiáticos, tradicionalmente grandes exportadores do grão (Vietnã, Camboja, Myanmar e Tailândia). Por causa da pandemia, esses países estariam priorizando o abastecimento interno e limitando sua venda internacional. (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) - MRE).


Canadá


- O Ministério de Pequenas Empresas, Promoções das Exportações e Comércio Exterior do Canadá anunciou a suspensão temporária da revisão das cotas tarifárias para laticínios, carnes de aves e ovos. (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) - MRE).


Estados Unidos


- O USDA anunciou, no dia 04 de maio, que os produtores rurais, pela primeira vez, serão elegíveis para os programas de Empréstimo Econômico por Desastres. (USDA, 4/5);


- Analistas estimam que a guerra comercial entre China e Estados Unidos deve se acirrar nos próximos meses. Destacam-se dois fatores: as recentes acusações de Washington sobre a origem do novo coronavírus em laboratório chinês e a tentativa de reeleição de Trump. O temor é que o republicano inicie uma nova escalada tarifária contra produtos chineses. A estratégia serviria para inflar seu eleitorado num cenário interno de economia cambaleante e aumento do desemprego. (agências internacionais, 5/5);


- O secretário de Agricultura dos EUA anunciou uma grande expansão do programa “Meals to You”, uma parceria do USDA com a Baylor University, McLane Global e PepsiCo. A iniciativa servirá cerca de 5 milhões de refeições por semana a crianças que vivem em área rurais afetadas pelo fechamento de escolas durante a pandemia. (USDA, 5/5);


- Estados Unidos e Reino Unido formalizaram o início das negociações de acordo de livre comércio na terça-feira (6/5). As rodadas virtuais começarão na próxima semana. Serão 30 grupos de trabalho. O comércio entre os dois países movimentou US$ 269 bilhões em 2019. (Reuters/Valor, 6/5).


União Europeia


- A zona do euro está à beira da pior recessão da histórica do bloco. A Comissão Europeia estima queda de 7% para o PIB da região em 2020. Os países do sul do continente – como Grécia, Itália e Espanha - serão os mais afetados pelos impactos econômicos da pandemia. Já se espera aumento do desemprego e da dívida pública. (Dow Jones, 7/5);


- Segundo matéria do Valor (3/5), a Copa-Cogeca tem pressionado a União Europeia para adotar medidas mais restritivas às importações de etanol e de carnes de aves e bovinos. Na prática, a solicitação é pela suspensão das cotas tarifárias para as duas proteínas. O Brasil estaria entre os principais países a serem afetados. No caso do etanol, a entidade solicita a imposição de medidas de salvaguarda para reduzir os volumes importados do Brasil e dos Estados Unidos. (Valor, 3/5);


- Aprovado pacote de auxílio estatal na Grécia de 10 milhões de euros para apoiar o setor de flores. (Comissão Europeia, 05/05);


- Na República Tcheca foi aprovado um pacote de garantias de 5,2 bilhões de euros para ajudar as empresas com atividades de exportação afetadas pelo Covid-19. (Comissão Europeia, 05/05);


- A Itália aprovou uma medida que dispõe orçamento de 30 milhões de euros para apoiar as pequenas e médias empresas ativas nos setores agrícolas e de pesca afetados pela pandemia. (Comissão Europeia, 05/05);


- A Comissão Europeia aprovou dois pacotes de ajuda financeira para a Finlândia de 40 milhões de euros que vão ajudar os setores agrícolas e de pesca. (Comissão Europeia, 6/5);


- A Comissão Europeia aprovou pacote de ajuda de aproximadamente 314 milhões de euros para apoiar as cadeias de valor agroalimentar da Hungria. (Comissão Europeia,, 7/5);


- A logística para entrega de mercadorias na Alemanha está acontecendo com alguns atrasos devido às alterações nas rotas das companhias de navegação e da capacidade de transporte terrestre no país. (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) - MRE).


China


- Os estragos econômicos da pandemia na Ásia central e na África devem atrasar os planos de Pequim com o projeto da Nova Rota da Seda. Muitos países da região que receberam empréstimos do governo chinês para obras de infraestrutura já solicitaram renegociação das dívidas. O Banco de Desenvolvimento e o de Exportação e Importação (Eximbank) são os dois maiores credores dos US$ 461 bilhões disponibilizados desde o início do projeto, em 2013 (FT e Valor, 4/5);


- Relatório do Ministério da Segurança do Estado da China apontou que a reprovação mundial contra o país está em seu nível mais alto desde o massacre da Praça Celestial, em 1989. Os motivos seriam a pandemia da Covid-19 e a insistência da Casa Branca em disseminar a tese de que o vírus surgiu em laboratório chinês. Segundo a agência Reuters, o estudo conclui que a Casa Branca encara a ascensão econômica da China como ameaça às democracias ocidentais (Reuters/Valor, 5/5);


- As exportações da China aumentaram 3,5% em abril sobre o valor do mesmo mês de 2019. O principal motivo foram os embarques para países do sudeste da Ásia que fazem parte do projeto da Rota da Seda. Pela mesma comparação, as importações chinesas caíram 14,2%. O superávit global do país foi de US$ 45,34 bilhões. (Dow Jones/Valor, 7/5).


Austrália


- O Ministro da Agricultura, David Littleproud, informou que a produção e a cadeia de suprimentos da Austrália não serão afetadas pelas paralisações em função do coronavírus. (Embaixada da Austrália no Brasil);


- A empresa aérea Qantas iniciou no dia 07 de maio a rota Brisbane-Cairns-Hong Kong. Esse novo voo de frete é uma das ações do governo para ajudar a indústria local de pescados a voltar para o mercado. (Embaixada da Austrália no Brasil);


- O governo da Austrália está fazendo mudanças temporárias nos acordos de visto. As mudanças têm como objetivo ajudar os agricultores a ter acesso à força de trabalho necessária para garantir alimentos durante a pandemia. (Embaixada da Austrália no Brasil);


- Foi aprovado um pacote de ajuda econômica de US$ 1 bilhão que será direcionado para apoiar indústrias e setor agrícola. (Embaixada da Austrália no Brasil).

Fonte: CNA 

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